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À Descoberta dos Sabores do Gerês – Terras de Bouro e Montalegre

À Descoberta dos Sabores do Gerês

Conhecer um país através da sua gastronomia é sempre uma boa opção. Na realidade descobrimos muito da história e tradições de um país e das suas regiões através da comida.

Venham comigo neste fim de semana de descoberta pela gastronomia do Gerês, em Terras de Bouro e Montalegre. Esta foi uma viagem de 3 dias (de sexta-feira a domingo), no âmbito das Jornadas Gastronómicas Gerês-Xurês. Estas jornadas tiveram como foco a gastronomia local da região.

Miradouro do Fafião, freguesia de Cabril, Montalegre parque nacional da peneda grês
Miradouro do Fafião, freguesia de Cabril, Montalegre.

Experimentámos a gastronomia típica da região na vila de Terras de Bouro, na localidade de Cavacadouro, na aldeia de Souto, na Vila do Gerês, na Albufeira da Caniçada (onde fizemos um passeio de barco no rio caldo) e onde assistimos a uma mostra de produtos típicos. Já em Montalegre, visitámos Fafião e o fojo dos lobos, e terminamos a viagem gastronómica em Outeiro.

Nesta viagem visitei outros locais, que falarei noutros artigos. Este artigo é focado na gastronomia.

Durante um fim-de-semana vamos conhecer Terras de Bouro e Montalegre através da Gastronomia

Terras de Bouro

Sem dúvida que para os amantes de boa comida, o Gerês não desilude. Começamos então a nossa jornada gastronómica por Terras de Bouro. Para além da qualidade da comida, temos a quantidade… que não é para quem tem o estômago pequeno. Começamos nas entradas… e acreditem que só com elas já ficavam saciados. Aqui a comida não pára de chegar à mesa, e o pensamento de todos é que no dia seguinte nos vamos lembrar de tudo o que não conseguimos comer no dia anterior… E com muita pena…

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Vista sobre a Vila do Gerês, a partir da Central Meleira do Gerês

Quinta da Portela (Pensão Rio Homem)

É na localidade de Cavacadouro que encontramos a Quinta da Portela. Um restaurante com duas salas e também alojamento (Pensão Rio Homem).

Começamos a refeição com diversas entradas e petiscos. A especialidade é o Cozido à Terras de Bouro (conhecido na região como cozido de feijão com couves). Este cozido é diferente do cozido à portuguesa que estamos habituados a comer (pelo menos aquele que eu estou habituada a comer). Este é um cozido composto por feijão amarelo e couves galegas. A característica destas couves é que estão expostas às temperaturas bastante frias desta região. São cozinhadas juntamente com as carnes e enchidos sem qualquer tipo de refogado, sendo a gordura das carnes (de porco) o ingrediente que lhes dá o sabor. O feijão é cozido à parte, e na hora de servir é tudo colocado na mesma travessa.

Ir a Terras de Bouro e não provar o seu cozido, é deixar de conhecer uma das preciosidades desta região. Mas existem outros pratos regionais que vale a pena provar (ou repetir). Como o Cabrito Assado à Padeiro em forno de lenha e as Papas de Sarrabulho com Rojões à Minhota. Para sobremesa temos a típica aletria.

Para beber as opções são várias, mas destaco o vinho verde tinto “Adega do Cavacadouro” de produção própria. Este vinho, diz a tradição que tem de ser bebido numa taça de louça.

Restaurante o Vaticano

Na aldeia de Souto chegamos ao Vaticano, e aqui não resisto a fazer a piada de que a comida é mesmo para degustar a rezar, de tão boa que é.

As especialidades são A Canoa de Bacalhau à Vaticano o Cabrito Biológico da Serra do Gerês. Este último servido com  castanhas, grelos e um arroz de miúdos, de comer e chorar por mais.

Perdi a conta às entradas, literalmente. E não provei todas, senão não havia “espaço” para os pratos principais e para a sobremesa, claro. Das entradas destaco as migas com broa e grelos e os rojões com sangue frito.

Quem me conhece sabe que não sou grande apreciadora de doces. Prefiro os salgados, enchidos e as refeições principais. Mas no Vaticano não podia cometer o pecado de não provar as rabanadas da casa, servidas com uma bola de gelado, morangos e chantilly.

O almoço aqui foi demorado, com tempo para degustar cada iguaria e aprender sobre a confecção de cada prato e a história do restaurante.

Petiscos da Bó Gusta – Lache dos Pastores

No Miradouro da Pedra Bela, num dos muitos parques de merendas do Gerês, este perto da Fonte de Chelo, degustámos um lanche dos pastores com petiscos do Restaurante Petiscos da Bó Gusta. Este restaurante fica situado no centro da Vila do Gerês. A especialidade é o Caldo no Pote. 

Vila do Gerês

Hotel Central Jardim (Pastéis de Santa Eufémia)

Na Vila do Gerês assistimos a um show cooking, com a confeção dos Pastéis de Santa Eufémia. Estes pastéis são uma especialidade do Hotel Central Jardim, devem o seu nome à Santa Padroeira do Gerês. A construção do Hotel é de finais do século XIX e a confeção dos pastéis começou em 1966, quando foi adquirido pela família Silva, e se mantém na família até aos dias de hoje.

O Dono havia sido pasteleiro nas mais conhecidas pastelarias de Lisboa e decidiu iniciar a confeção dos pastéis para oferecer aos clientes do hotel. Embora os pastéis tenham começado por ser uma oferta para os clientes do hotel, hoje podem ser comprados por encomenda.

O responsável pelos Pastéis de Santa Eufémia é o cozinheiro José Maria, que trabalha no Hotel há 30 anos. A receita foi trazida para o hotel pelo pai do proprietário. E ainda continuam a ser fabricados de forma tradicional. A receita é um segredo guardado pelo cozinheiro José Maria, que vai sendo passado de geração em geração. E agora também conhecido pelo seu ajudante Filipe.

Visita à Central Meleira da Vila do Gerês (Mel “Doce Gerês”)

Continuamos a nossa Jornada pela Vila do Gerês, e agora é hora de subir até à Central Meleira da Vila do Gerês. O Mel do Gerês tem fama de ser de grande qualidade, e confirmo que não é só fama.

Mel “Doce Gerês”

Esta é uma unidade de produção primária de mel e pertence ao Sr. Miguel Martins. Apicultor profissional, que possui mais de 100 colmeias de mel espalhadas por vários locais.

O mel aqui produzido tem a marca “Doce Gerês”. Não contém produtos químicos na sua composição, e pode ser de urze, de eucalipto, multifloral, ou ter outras composições. Ficámos a conhecer o processo de produção desde a extração do mel até chegar à nossa casa.

Dica: Se o mel que têm em casa cristalizar com o tempo frio é porque é de boa qualidade

Tivemos a oportunidade de fazer uma prova dos diferentes tipos de mel, e são todos muito saborosos.

Centro Náutico de Rio Caldo

No Centro Náutico do Rio Caldo fomos assistir a uma mostra de produtos típicos da região. Com produtos da empresa Sabores do Bosque, as Monjas Cistercienses e Licor de Mel do Gerês.

Passeio na Embarcação Rio Caldo
Passeio na Embarcação Rio Caldo

Como o tempo estava propício fomos fazer um passeio de barco na embarcação Rio Caldo, na albufeira da caniçada. Aqui provámos o Licor de Mel do Gerês e os Biscoitos Beneditinos. A embarcação Rio Caldo faz passeios pela albufeira, dispõe de 54 lugares sentados e permite-nos navegar pelas belas paisagens desta região. O Licor de mel do Gerês foi criado pelo Sr. António Príncipe (atual Presidente da junta de Freguesia de Vilar da Veiga) que aproveitou o mel do Gerês para criar este licor. Muito bom e um excelente presente.

Montalegre

Retiro do Gerês

Na aldeia de Fafião jantámos no restaurante Retiro do Gerês. Que não é só um restaurante, mas é também o primeiro hostel de Montalegre. E a especialidade do restaurante é a costela barrosã.

Casa Albelo do Gerês

Terminamos estas Jornadas Gastronómicas da melhor forma, no restaurante Albelo do Gerês na aldeia de Outeiro. Com uma vista privilegiada sobre a Barragem da Paradela provei pela primeira vez chouriço de abóbora, presunto de Montalegre e redenhos. E para acompanhar esta refeição tivemos os vinhos Mont’Alegre.

E vocês já conhecem algumas destas iguarias? Espero que tenham gostado, boas degustações e até ao próximo artigo.

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Sónia Justo

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