Aldeia de Vilarinho da Furna
Albufeira Vilarinho da Furna

A Aldeia Submersa de Vilarinho da Furna

A Aldeia que já não existe

A Aldeia de Vilarinho da Furna já não existe. Ou melhor, existe mas está submersa. Esta era uma aldeia da freguesia de Campos do Gerês, entre a serra do Gerês e a serra Amarela, no Concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga.

Vilarinho da Furna era uma aldeia comunitária, que ficou submersa pelas águas do rio Homem, com a construção e inauguração da Barragem de Vilarinho das Furnas em 1972. O nome da aldeia era Vilarinho da Furna, mas o nome que foi dado à Barragem foi “Barragem de Vilarinho das Furnas”.

Barragem de vVilarinho das Furnas
Placa da Inauguração da Barragem de Vilarinho das Furnas

Albufeira de Vilarinho da Furna

Esta Albufeira resulta da construção da Barragem, que alimentada pelas águas do rio Homem deixou submersa a Aldeia comunitária de Vilarinho da Furna.

A Barragem foi inaugurada em 1972 sob o protesto dos antigos habitantes da aldeia, que tiveram de recomeçar a sua vida noutros locais. Ao contrário de outras aldeias, como a aldeia da luz por exemplo, aqui não foram construídas novas casas ou uma “nova” aldeia para realojar a população. E as cerca de 300 pessoas que habitavam a aldeia na época foram recolocadas nos concelhos vizinhos.

Quando a Barragem é esvaziada para limpeza, ou quando o nível das águas desce em períodos de seca é possível ver a antiga aldeia, com as suas casas, caminhos e muros.

Albufeira da Barragem de vilarinho das furnas
Vista da Albufeira de Vilarinha da Furna

Albufeira de Vilarinho da Furna

albufeira de vilarinho da furna

Aldeia Comunitária

Esta era uma aldeia comunitária. E as aldeias comunitárias suscitam-me sempre grande curiosidade, e Vilarinho da Furna não é excepção. Fascina-me o sentido de comunidade, e a constatação real que todos têm um papel importante e fundamental para o funcionamento e bem estar da comunidade, neste caso da aldeia.

No que respeita à posse de terra, existia propriedade privada. E depois existia uma parcela de propriedade coletiva/comunitária. Esta propriedade coletiva era constituída por logradouros comuns, onde a população levava o seu gado a pastar, cortava lenha entre outras atividades. Tudo isto era decidido através de normas previamente decididas de forma democrática. O Zelador tocava o búzio, ou o corno de boi para convocar a reunião da Junta.

 A base desta organização da comunidade era uma Assembleia com os representantes das várias famílias da aldeia. À semelhança do que se passava noutras aldeias comunitárias. E que em Vilarinho da Furna tinha o nome de “Ajuntes”. Essa Junta era presidida por um zelador, escolhido entre os homens casados da aldeia, e que era independente das autoridades oficiais.

Aldeia de vilarinho da furna

Aqui analisavam-se os problemas da aldeia e encontravam-se soluções. Sempre de forma democrática. Para além de se reger pelas leis do país, a aldeia tinha as suas próprias leis internas. Para além do Zelador faziam parte da Junta seis membros. Para esses seis membros podiam ser escolhidos os homens casados da aldeia ou mulheres, desde que fossem viúvas ou que os maridos tivessem emigrado. As eleições para escolher o Zelador e os seis membros eram realizadas de seis em seis meses

Aldeia de vilarinho da furna

Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna

De visita obrigatória é também o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, que conta com o património etnográfico da aldeia. Aqui podemos ver representadas as tradições comunitárias, a vida doméstica e o setor agrário da aldeia. E que nos permite conhecer um pouco mais sobre a história da aldeia, as suas gentes e o seu desaparecimento. O Museu foi construído com as próprias pedras da aldeia. Os homens estavam ligados aos trabalhos exteriores e as mulheres às tarefas domésticas.

Associação “A Furna”

Os habitantes não perderam o contacto e em 1985 criaram a associação “A Furna” que tem como objetivo a preservação e promoção do património cultural e comunitário do povo e da Aldeia Comunitária. Esta é a associação dos antigos habitantes da aldeia de Vilarinho da Furna. É impossível estar ali e não pensar no sentimento daqueles que viram a sua aldeia desaparecer…

Em Síntese e um Apelo

A minha visita à albufeira de Vilarinho da Furna foi inserida nas Jornadas Gastronómicas. Fiz esta viagem a convite do Turismo do Porto e Norte. E Podem ler mais sobre esta viagem neste artigo À Descoberta dos Sabores do Gerês – Terras de Bouro e Montalegre.
Este ano com as restrições de viagens para o estrangeiro, assistimos a uma afluência sem precedentes em alguns destinos turísticos portugueses. E o Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) foi um deles.
Este ano conheci um Gerês diferente. E é importante lembrar que o nosso país é lindo e merece ser visitado durante todo o ano, e não só durante o verão. Para além disso, é importante respeitarmos as regras de segurança. Não só as relacionadas com o coronavirus mas as regras de segurança para quem se vai aventurar por exemplo por um trilho.
Mais importante do que dar a conhecer o nosso país, é importante sensibilizar para um turismo consciente, usufruir da natureza sem a agredir e em segurança. Respeitar os limites até onde podemos ir, e não nos arriscarmos por locais proibidos, e ter atitudes que podem pôr em causa a segurança de todos.
Espero que tenham gostado, Bons Passeios e até ao próximo Post.
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Aldeia de vilarinho da furna

 

Sónia Justo

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